Ex-ministro dos Transportes de Espanha condenado a 24 anos de prisão

Ex-ministro dos Transportes de Espanha condenado a 24 anos de prisão

O Supremo Tribunal condenou José Luis Ábalos, antigo dirigente socialista e antigo braço direito de Pedro Sanchez a 24 anos de prisão embora apenas tenha de cumprir uma pena máxima de 16 anos e meio.

Joana Bénard da Costa - RTP /
Foto: Javier Soriano - AFP

Foi lida a sentença do primeiro julgamento do caso Koldo, em torno da alegada manipulação da compra de máscaras durante a pandemia de COVID-19 pelo Ministério dos Transportes, então sob a gestão de José Luis Ábalos. 

A decisão foi tomada por unanimidade entre os magistrados do tribunal: o antigo líder socialista foi condenado a 24 anos e três meses de prisão pelos crimes de crime organizado, suborno, peculato e tráfico de influências, embora só tenha de cumprir uma pena máxima de 16 anos e meio.

O seu ex-assessor no ministério, Koldo García, e o empresário Víctor de Aldama foram condenados a 19 anos e oito meses (com pena máxima de 15 anos) e quatro anos e meio, respetivamente, mas o Supremo Tribunal isentou o empresário da prisão por ter colaborado com a justiça.

A leitura da sentença aconteceu cerca de mês e meio após o julgamento, que terminou a 6 de maio, depois de 14 sessões em que mais de 70 pessoas prestaram declarações, entre funcionários públicos, empresários, peritos, agentes da Guarda Civil e familiares dos arguidos.

O ex-ministro e o ex-assessor estiveram presentes por videoconferência a partir da prisão de de Madrid onde se encontram detidos em prisão preventiva. Aldama, o único dos três que se encontra em liberdade, compareceu no edifício do Supremo Tribunal acompanhado pelo advogado.

Durante o julgamento, a Procuradoria denunciou uma "verdadeira organização criminosa" cujo objetivo era obter vantagem "sob a proteção do cargo ocupado por Ábalos" no Governo.

A decisão do Supremo Tribunal é determinante para as restantes peças do puzzle do caso Koldo, que colocou o governo numa posição difícil e pôs fim, não à carreira do primeiro Secretário de Organização do PSOE de Pedro Sánchez, atual primeiro-ministro espanhol. 

Os restantes casos, que investigam outros membros do esquema de distribuição de máscaras, a alegada manipulação de projetos de construção em troca de comissões e os pagamentos em dinheiro do PSOE, estão a ser tratados em outra sede, onde esta decisão era aguardada com grande expetativa.
Tópicos
PUB